quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Nost - "auge" - ia, no auge da nostalgia.

Talvez, e somente talvez, hoje seja um dia bom pra "descarregar". Depois de tanto tempo, e depois de tanta coisa... Quem sabe ? Não há nada melhor do que expressar somente em palavras, o que aqui dentro é simplesmente inexplicável. Por mais confusas que possam parecer, sei lá... É assim que sai daqui de dentro, confuso, embaralhado, às vezes incompreensível. Mas parando pra analisar... Claro que tinha que sair assim. Se é exatamente dessa forma que existe aqui dentro, como sairia de uma forma diferente, organizada, pontual ? É, realmente complicado.
Uma passagem por aqui, da última vez, me rendeu um texto grande. Sinceramente, não sei se espero o mesmo dessa vez. Afinal de contas... Escrever sobre sentimentos nem sempre é tão bom quanto pode parecer. Sei lá, sabe... Às vezes falar sobre determinados assuntos, incitam em quem os escreve, a relembrar momentos, emoções, sensações e... acima de tudo, sentimentos. É um ato perigoso, o de escrever. O perigo está em querer estar dentro do que se escreve. O perigo maior é criar uma ilusão, uma fantasia, uma realidade que não é a sua. Mas isso, é para quem escreve fantasia, quem escreve ficção.
Para quem escreve sentimentos, sensações, e pensamentos, o perigo é essencialmente, o de reviver momentos, que provavelmente são indesejáveis de ser relembrados. Ou não necessariamente indesejáveis... mas o perigo pode existir no relembrar. Sentir as mesmas sensações e sentimentos, podem confundir. Escrever, sem sentir, sem fantasiar, é mentir para si próprio... Quem escreve ficção, cria imagens, quem escreve verdadeiros fatos, recriam ambientes, pessoas, sensações, sentimentos. E aí mora o perigo mortal para o escritor.
Mas quem se importa ? Você, leitor ? Claro que não... Por que se importaria ? Não é você que está sentindo, é ? Ou até seja, se concordar ou já ter vivido a minha realidade. Talvez não da mesma forma, mas de forma parecida. Talvez essa pessoa se importe, mas o resto ? Ah, esses lêem, mas não recriam e muito menos relembram e revivem fatos e momentos guardados, bem lá no fundo. Esses são apenas máquinas de leitura, que não sentem, não opinam, e não brilham.
Engraçado é o motivo pelo qual comecei um texto, escrevendo isso tudo. O simples fato de querer passar em palavras, essa nostalgia indefinida e infinita na qual vivo imerso ultimamente. Nostalgia complexa, complicada para alguns, até para mim, mas com fundamentos e argumentos, além de motivos. Nostalgia essa que me tira, às vezes ao acordar, na maioria das vezes antes de dormir, sorrisos de canto à canto da boca, e algumas vezes, puras lágrimas. São memórias... Algumas boas, outras nem tanto, vindo à tona como uma bola mergulhada numa piscina. Reviver sensações... Ah, isso é bom. Mesmo que em momentos específicos, nos causem frios na barriga. É engraçado, como mesmo sabendo o que vai acontecer em nossos pensamentos, termos a mesma sensação do momento... Como se estivéssemos lá novamente.
Ahh, essa nostalgia me consome. Por alguns segundos, no começo. Vários minutos em seguida, e hoje consome algumas horinhas de minhas semanas. Pensando, revivendo, remontando ambientes e criando realidades paralelas na mente. É, concordo, coisa de doido... Mas quer saber ? Não preciso ser normal. Gosto assim, da loucura. Mesmo que essa loucura me custe algumas lágrimas. Sei que no fim das contas, me fará sorrir. Por ver que passei por TANTA coisa, e ainda assim, aqui estou eu, de pé, com cicatrizes, é claro, mas com feridas curadas, com força para lutar, e com ânimo e disposição pra mudar. Além de coragem pra voltar... a um passado que, provavelmente, nenhum outro voltaria. Sombrio, diria meio escuro, até... Mas que me fez ser o que sou hoje, e me fez, principalmente, crescer.
E sabe quem é responsável por TUDO isso ? Erros... E muitos deles, por sinal. Na maioria das vezes, um atrás do outro. Pessoas que não mereciam foram perdidas no caminho... Pessoas boas, na verdade, ótimas. Com as quais eu podia contar, que me amavam... E que hoje, fazem parte de minha intensa nostalgia. Talvez um dia eu tenha me arrependido de algo... Um dia. Hoje, não mais. Sei que passei por tudo, para aprender uma lição, ou talvez duas... Ah, quem sabe uma dezena delas ? Não foi nada por acaso, não acredito nisso. Surge um objetivo, eu não sei qual, e nem preciso saber, mas existe um. Não me arrependo... Sei que lá atrás, não faria diferente. Mesmo se houvesse possibilidade de voltar, faria igual... ou não estaria sendo eu. E não estaria me transformando, de forma nenhuma, na pessoa que sou hoje.
É, a nostalgia criou essa viagem... Talvez cansativa, mas com um objetivo. E a nostalgia também pode levar qualquer um a viajar... por momentos, sensações, ambientes. Uma dica ? Simplesmente... Deixe fluir, e verá aonde irá parar.

Por: Rafael N. Barros
Em 01.08.2012